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Publicado em 30 de março de 2009
A MUSICOTERAPIA NAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM:
UMA MEDIAÇÃO ENTRE O CANTAR, O LER E O ESCREVER - página 2
Elisama Barbosa Brasil
A música e seus elementos são objetos de estudo e de prática da Musicoterapia. Considerados como fatores intrínsecos à constituição e à história de vida do indivíduo, além de serem eficientes no desenvolvimento de potencialidades. Para Barcellos (1992), musicoterapeuta brasileira, o cantar, fazer rimas, brincar com os sons, o dançar, o desenhar, desenvolve, concretiza e dá forma à expressão da criança.
Sendo assim, a Musicoterapia com crianças que têm dificuldades de aprendizagem, segundo Barcellos (1992), busca permitir à criança uma transformação da realidade através da tomada de consciência destas dificuldades, possibilitando sua integração à sociedade através de estratégias de superação ou amenização daquelas. Ainda segundo Barcellos (op. cit.), a criança com dificuldade em aprender precisa se reconhecer como pessoa ativa, que tem potencial produtivo. O papel da Musicoterapia será a “formação de uma atividade cognitiva ativa e significativa” (BARCELLOS, op. cit. p.21) para este sujeito independente do nível que possa alcançar, através das “manifestações sonoro-musicais, corporais ou verbais” (BARCELLOS, op. cit. p. 23), a fim de estimular a criatividade, a ação e a inventividade deste indivíduo.
Acredita-se que ao gerar, no contexto escolar, um espaço que favoreça a estimulação da criatividade e da auto-expressão (verbal e não-verbal) do aluno, através de experiências significativas como atividades e jogos sonoro-musicais, espera-se favorecer a aprendizagem e, consequentemente, o desenvolvimento.
METODOLOGIA
A pesquisa encontra-se configurada como uma pesquisa-ação de cunho qualitativo. Segundo Franco (2005), a pesquisa-ação é um tipo de pesquisa que pretende a transformação da prática e uma avaliação e modificação do contexto. Ou seja, ela parte “de uma situação social concreta a modificar e, mais que isso, deve se inspirar constantemente nas transformações e nos elementos novos que surgem durante o processo e sob a influência da pesquisa” (FRANCO, op. cit., p. 4).
A pesquisa está fundamentada na Teoria Sócio-Histórico-Dialética de L.V. Vygotsky, cuja abordagem afirma a origem social da linguagem e do pensamento, estuda a dinâmica dos fenômenos e considera o homem um ser ativo, social e histórico que estabelece um processo de relação com a natureza e com os outros homens (BOCK, 2002). Segundo Shaffer (2005, p.247), Vygotsky insistia que “o crescimento cognitivo ocorre em um contexto sociocultural que influencia a forma que assume” e “muitas das habilidades cognitivas mais notáveis em uma criança evoluem de interações sociais com pais, professores e outros associados competentes”.
O delineamento da coleta de dados encontra-se assim posto:
a) o público-alvo será um aluno com idade de 8 a 9 anos, atendido na instituição de ensino municipal CMAI (Centro Municipal de Apoio à Inclusão), situado em Goiânia, Goiás;
b) o aluno será previamente avaliado pela equipe multiprofissional da unidade, devendo enquadrar-se num quadro sem hipótese de deficiência associada e apresentando dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita;
c) os atendimentos musicoterápicos ocorrerão no contra-turno escolar, totalizando no mínimo 8 e no máximo 12 sessões, uma vez por semana durante 40 minutos cada, utilizando-se de instrumentos musicais diversos e aparelho de som para a realização das atividades; as principais técnicas musicoterapêuticas utilizadas serão, segundo Bruscia (2000, cap. 13): Improvisação, Recriação Musical, Audição Musical e Composição.
Sabendo da relação existente entre a leitura/ escrita e os processos de decodificação e criação, estas técnicas poderão ser utilizadas como meio de resgatar o potencial do sujeito em criar. Como por exemplo, ampliar os conteúdos sonoro-musicais, transcrevendo-os em partituras etc.
d) os registros poderão ocorrer de diversas formas, tais como gravações em áudio e/ou vídeo, sendo transcritas ou não, documentadas em forma de relatório descritivo;
e) conforme as normas que regem a Res. CNS 196/96 e suas complementares, bem como da Bioética e da Ética, os participantes não terão nenhuma despesa ou ônus quanto à participação na pesquisa, pois os mesmos se encontrarão na instituição para outros atendimentos. O sujeito da pesquisa terá garantia de privacidade e confidencialidade. Os responsáveis pelo menor têm autonomia para solicitar a saída deste da pesquisa a qualquer momento sem que haja prejuízo ou ônus para os mesmos
O aluno assistido por esta pesquisa não sofrerá riscos (considerando as dimensões: física, psíquica, moral, intelectual, social, cultural ou espiritual) por não nos utilizarmos de procedimentos invasivos. Quanto aos benefícios previstos para o sujeito-alvo da pesquisa, espera-se que haja o resgate da auto-estima, a ampliação da percepção e da comunicação, o desenvolvimento da criatividade, da “ação cognitiva ativa e significativa” e da “interação ativa e produtiva” (BARCELLOS, 1992, p. 21) do mesmo.
f) Será dada continuidade aos atendimentos ao sujeito após a pesquisa, durante tempo a ser combinado com os responsáveis e com a instituição (CMAI) e/ou será feito o encaminhamento do mesmo a outro profissional da área.
g) a socialização dos dados ocorrerá em ambiente acadêmico e científico, servindo de material para a realização de outros estudos, bem como em apresentações nos eventos e publicações científicas. Os dados da pesquisa serão incorporados na pesquisa realizada por NASCIMENTO (2006), para investigação da Musicoterapia na área da Educação.
h) O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Goiás e encontra-se na fase de coleta de dados, com o término previsto para Dezembro de 2008.
Com a presente pesquisa pretende-se, portanto, coletar dados que contribuam na investigação sobre a Musicoterapia na intervenção de crianças com dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita, a fim de encontrar outros caminhos para minimizá-las ou até mesmo extingui-las; e que enriqueçam as discussões sobre a aplicabilidade da Musicoterapia na área da educação.
BIBLIOGRAFIA
BARCELLOS, Lia Rejane. Um trabalho de musicoterapia desenvolvido com crianças com problemas de aprendizagem, 1992.
BARTHOLOMEU, Daniel; SISTO, Fermino Fernandes; MARIN RUEDA, Fabián Javier. Dificuldades de aprendizagem na escrita e características emocionais de crianças. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 11, n. 1, p. 139-146, jan./abr. 2006. Disponível em: http://www.scielo.com>. Acesso em: jun. 2008
BOCK, Ana Mercês Bahia. Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. 13 ed. reform. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2002.
BRUSCIA, Kenneth E. Definindo Musicoterapia. 2 ed. Rio de Janeiro: Enelivros, 2000.
CRESWELL, John W. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto, 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.
FONSECA, Vitor da. Introdução às dificuldades de aprendizagem. 2 ed.Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
FRANCO, Maria Amélia Santoro. Pedagogia da pesquisa-ação. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 3, p. 483 – 502, set./dez 2005. Disponível em: < http:// www.scielo.br/pdf/ep/v31n3/a11v31n3.pdf . Acesso em: 19 mar. 2008.
GUERRA, Leila Boni. A criança com dificuldades de aprendizagem: considerações sobre a teoria – modos de fazer. Rio de Janeiro: Enelivros, 2002.
NASCIMENTO, Sandra Rocha do. A intervenção psicopedagógica através da música: uma “escuta diferenciada” das dificuldades de aprendizagem mediadas pela musicoterapia. 2006. (Projeto de Pesquisa de Dissertação Doutoramento em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGE, Universidade Federal de Goiás, 2006.
SHAFFER, David R. Psicologia do desenvolvimento: infância e adolescência. São Paulo: Pioneira Thomson, 2005.
SUNDIN, Bertil. – A importância da música e de atividades estéticas no desenvolvimento geral da criança. In: RUUD, E. Música e saúde. São Paulo: Summus, 1991.
ZORZI, Jaime Luiz. Aprendizagem e distúrbios da linguagem escrita: questões clínicas e educacionais. Porto alegre: Artmed, 2003.
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