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Publicado em 30 de março de 2009
A MUSICOTERAPIA NAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM:
UMA MEDIAÇÃO ENTRE O CANTAR, O LER E O ESCREVER
Elisama Barbosa Brasil
INTRODUÇÃO
Esta é uma pesquisa em andamento referente ao projeto final do Curso de Graduação em Musicoterapia, da Universidade Federal de Goiás. A pesquisa objetiva investigar e desenvolver propostas de aplicação da Musicoterapia na Educação, em específico nas Dificuldades de Aprendizagem referentes à leitura e à escrita, investigando a influência da música no desenvolvimento cognitivo dos alunos.
A área de aplicabilidade da Musicoterapia na Educação ainda é um campo pouco explorado no Brasil, concorrendo para a escassez de literatura e pouca divulgação dos resultados já concretizados, o que leva à desmotivação na escolha de novas pesquisas na área. Embora no campo da Educação Especial existam muitos trabalhos musicoterápicos, no Ensino Regular ainda temos uma lacuna nas investigações.
Projetos de pesquisa estão começando a ser encaminhados para a temática da área da Educação, embora timidamente. Despontando numa proposta mais ampliada, a pesquisa de doutorado de autoria da Profª. Ms. Sandra Rocha do Nascimento (UFG) (2006) tem avançado na operacionalização de estudos investigativos no campo da educação regular, propondo ações interdisciplinares e interinstitucionais, bem como efetivando a concretização de grupos de estudos na área da Musicoterapia na Educação.
O trabalho que expomos neste artigo, pretende apresentar uma proposta investigativa sobre a Musicoterapia na área educacional com indivíduos normativos, buscando propor ações interventivas que possam favorecer a mobilização de potencialidades na criança com dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita, possibilitando mudanças através da utilização de métodos musicais-musicoterápicos.
As dificuldades de aprendizagem configuram-se como um dos temas de discussões relevantes da atualidade. Toda a circunstância evidenciada pela presença das dificuldades de aprendizagem, pode configurar desde ações que evidenciam uma preocupação por parte dos docentes e da família, ou, em outro extremo, pelo descaso e desatenção para com estas crianças; ou ainda pelas propostas educacionais “que podem não estar dando conta, plenamente, de se apresentarem como meios realmente eficientes e adequados às necessidades e características de tais crianças” (ZORZI, 2003, p. 36).
No presente estudo, iniciamos optando por não estender na classificação ou definição de “dificuldades de aprendizagem”, pois, não existe uma definição universalmente aceita para este campo devido à heterogeneidade de sintomas. (BARTHOLOMEU; SISTO e MARIN RUEDA, 2006). Adotamos o termo dificuldades, assim como Fonseca (1995) e Guerra (2002), pois, “o mesmo é dinâmico, aberto para a possibilidade de progresso e sucesso, (...) apontando para dificuldades que podem ser superadas,... ‘desabilidades’ a serem transformadas em habilidades” (GUERRA, 2002, p. 12).
Não questionaremos ou enfocaremos as causas destas problemáticas. As dificuldades de aprendizagem mais comuns estão relacionadas à aquisição da leitura e da escrita, e de habilidades de matemática (GUERRA, 2002). A pesquisa proposta focalizará, desta forma, nas dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita.
Quando estas crianças não conseguem aprender, muitas vezes são rotuladas como, “burras”, “lentas” ou “preguiçosas” e são constantemente cobradas em seu desempenho escolar, o que pode gerar, segundo Gauderer (in AFFONSO, 1997, apud GUERRA, 2002, p. 13) “um dano psicológico e se refletir no futuro”. Portanto, problemas emocionais podem ser observados, como baixa auto-estima, sentimento de fracasso e de incapacidade, retraimento, dificuldades relacionais, bem como outros “desarranjos” sociais como a delinqüência ou comportamentos inadequados. Segundo Zorzi (2003, p. 35), observa-se “(...) um número muito elevado de crianças, tanto de escolas públicas, quanto de escolas privadas, têm experimentado situações de fracasso escolar em razão das dificuldades para aprender a ler e escrever”. Desta forma, tem-se elevado o número de indivíduos que vão em busca de atendimentos clínicos, tais como de psicoterapia, fonoaudiologia, psicopedagogia, entre outras especialidades.
Zorzi (2003) afirma que a criação de novos métodos de ensino por parte dos educadores não seria a única solução para as dificuldades de aprendizagem. Pensando sobre isso, além da implantação de estratégias de intervenções nas práticas escolares regulares e do aperfeiçoamento destes docentes, acredita-se que a Musicoterapia poderia ser incluída neste contexto para atuar como área de suporte psicológico a estas crianças e como meio de estimulação do seu desenvolvimento global, estimulando a auto-percepção e a re-significação de comportamentos. Propõe-se com a pesquisa colocar esta modalidade terapêutica como possível meio de intervenção e/ou amenização das dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita em crianças, a fim de possibilitar o desenvolvimento de potencialidades das mesmas.
A definição de Musicoterapia pode ser assim apresentada, segundo a World Federation of Music Therapy (RUUD, 1998 apud BRUSCIA, 2000, p. 286):
Musicoterapia é a utilização da música e/ou dos elementos musicais (som, ritmo, melodia e harmonia) pelo musicoterapeuta e pelo cliente ou grupo, em um processo estruturado para facilitar e promover a comunicação, o relacionamento, a aprendizagem, a mobilização, a expressão e a organização (física, emocional, mental, social e cognitiva) para desenvolver potenciais e desenvolver ou recuperar funções do indivíduo de forma que ele possa alcançar melhor integração intra e interpessoal e conseqüentemente uma melhor qualidade de vida.
Sundin (1991, p. 143), afirma que, dentro do contexto educacional as atividades estéticas e a música podem atuar como agentes promissores na estimulação de potencialidades da criança, pois, “favorece o desenvolvimento cognitivo, a atenção, a memória, a agilidade motora e capacidades similares”, além de promover “a socialização na sala de aula ou na escola”.
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