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Publicado em 26 de junho de 2008
XIV FÓRUM ESTADUAL DE MUSICOTERAPIA NA AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE MERCADO DE TRABALHO PARA OS MUSICOTERAPEUTAS NA CÂMARA DOS VEREADORES DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO
PLENÁRIO TEOTÔNIO VILELLA.
DIA 19 DE JUNHO DE 2008, DE 9H ÀS 13H
Marcello Santos
Aberta a audiência pública pelo vereador Dr. Carlos Eduardo, do PSB e da Comissão de Higiene e Saúde Pública, no sentido de discutir a pertinência da musicoterapia nos serviços de saúde pública do Município do Rio de Janeiro. Além do vereador, a mesa foi composta por Madalena Libério, Sandra Lobo, Lizete Vaz, A MT Lia Rejane Mendes Barcellos, a Sra. Ilma Mascarenhas de Araújo e a Presidente do CLAM e da AMT-RJ Marly Chagas.
Designando como “boa notícia”, o vereador Carlos Eduardo explanou sobre seu Projeto de Lei Municipal que estabelece a Semana do Musicoterapeuta no Calendário Oficial do Município. Ressaltando a militância dos musicoterapeutas, na pessoa da presidente da AMT-RJ, Marly Chagas, o vereador imagina uma semana repleta de campanhas ilustrativas e educativas que falem da profissão e ressaltem sua importância. Em sua fala, lamenta ainda a pouca divulgação do campo, enumerando alguns dos serviços que são prestados nos serviços de saúde do município.
A palavra foi passada então à professora MT Lia Rejane que, de início, definiu musicoterapia e teceu distinções conceituais importantes nesse trabalho, como música, paciente, terapeuta. Logo em seguida a Professora utilizou um caso clínico para ilustrar a dinâmica de seu trabalho, de forma lírica em muitos momentos. Sua fala foi encerrada com os aplausos emocionados dos presentes, estudantes, profissionais, parentes, pacientes e colegas de trabalho dos musicoterapeutas, que lotavam o Plenário Teotônio Vilela.
Foi então passada a palavra à Dra Madalena Libério, que fez um rápido histórico da implementação dos CAPs, contextualizando o drama da internalização e do sofrimento psíquico. Descreveu também a incorporação de musicoterapeutas às equipes e à essa luta, lembrando também a relevância do Instituto Franco Basaglia nesse processo de incorporação desses novos profissionais.Retomando a questão do sofrimento psíquico, aponta que muitas vezes esse tipo de paciente não consegue se expressar verbalmente e que a intervenção do musicoterapeuta, estabelecendo canais de comunicação com esse indivíduo ininteligível. Considera esse tipo de profissional importante nas equipes, no sentido de ser um facilitador dos vínculos dos usuários com a equipe. Encerrou elogiando a iniciativa do dia e, mais uma vez, o sucesso dos musicoterapeutas nas equipes.
A seguir, a Dra Sandra Lobo abriu com uma saudação ao ato e aos musicoterapeutas, recordando sua formação musical de pianista, tendo ela estudado no próprio Conservatório Brasileiro de Música, articulando sua própria história com intrínseca relação entre a música e o ser humano. Lembrou a surpresa dos primeiros relatos que ouviu sobre a musicoterapia e mostrou que seu trabalho frente ao CIAD (Centro Integrado de Atendimento ao Deficiente Mestre Candeia), fundado na idéia de reabilitação e de equipes trans e interdisciplinares. Salientou também a importância da inclusão do musicoterapeuta nessas equipes de reabilitação e seu perfil adequado à sua integração às mesmas. Declarou também que a proposta do musicoterapeuta no trabalho com as potencialidades do paciente faz com que este seja atingido de “forma especial”.Alertou para desafios e obstáculos da luta dos musicoterapeutas frente às instâncias políticas e burocráticas, nomeando como “processo de luta” a mobilização da classe no sentido de abrir mercado no Município. Encerando sua fala, mais uma vez congratulou-se com os presentes, disponibilizando-se como aliada nessa empreitada.
Retomando a palavra, o vereador Carlos Eduardo criticou a política orçamentária da Prefeitura frente à não-realização de concurso para musicoterapeuta. Deu-se início então à fala da Dra Lisete Vaz.
A Presidente da Fundação Franco Basaglia diz-se muito honrada com o convite para essa mesa e ressaltou, em suas palavras, a “qualidade desse movimento social” e a importância de como está sendo feito: de forma legal, constitucional, legítimo. Traçou breve histórico da pareceria com a Coordenação de saúde Mental e posteriormente com o CBM, em 1996, quando foram chamados os primeiros musicoterapeutas , no primeiro concurso público realizado. Falou da qualidade dos profissionais atuantes e de sua percepção da musicoterapia como prática produtora de saúde, alcançando sucesso em situações tidas por ela como “limítrofes”. Encerrou também parabenizando a todos pelo evento que chamou de “participação cidadã” dos musicoterapeutas. Disse trazer também consigo um abraço do Dr. Domingos Sávio do Nascimento Alves, reforçando o vínculo de sua instituição com o movimento profissional dos musicoterapeutas.
Em seguida foi dada a palavra à Sra. Ilma Mascarenhas de Azevedo, que fez um emocionado depoimento sobre a experiência da musicoterapia junto a seu filho, após passagens juntos a inúmeros especialistas. Encerrou com sua fala de apoio, como cidadã, à maior inserção dos musicoterapeutas nos serviço público municipal de saúde. Após sua fala, foi exibido o vídeo “Musicoterapia: fazendo a Diferença”, com depoimentos de gestores e profissionais associados à essa prática de saúde.
Sob intensos aplausos iniciou-se os depoimentos de algumas usuárias da musicoterapia: Primeiramente a Sra. Nadege de Souza Cruz Serra Lima Filha, paciente da Clínica Social Ronaldo Millecco do Conservatório Brasileiro de Música- Centro Universitário, dissertando sobre os efeitos diretos em sua auto-estima e o processo de crescimento pessoal advindo do trabalho em musicoterapia. A seguir, Dra Idmê Teixeira Falcão, psiquiatra, trouxe um depoimento comovente de sua luta junto ao filho autista, agora adulto, que só encontrou ressonância junto à musicoterapia. Encerrando os emocionados depoimentos, a Sra. Zenith Miranda, que estava acompanhada de sua família, além de sua musicoterapeuta da ABBR, (Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação). Seu depoimento, denso, que narrava a luta contra o câncer, recebendo atuação musicoterápica tanto em reabilitação (ABBR) quanto em oncologia (INCA – Instituto Nacional de Câncer). Declamou um poema escrito para a ocasião, “Um Grito de Socorro Ecoa na Cãmara”, levando os presentes às lágrimas. Encerrou com o cântico “Deus é Fiel”, trazendo um clima de comoção ao Plenário.
Após o tocante depoimento, o vereador Carlos Eduardo recebeu documento da ABBR reivindicando maior atenção por parte das autoridades municipais junto a essa tradicional instituição.
Seguiu-se então a apresentação do coral “Musicalidade Brincante”, do Instituto Nise da Silveira, sob a regência da musicoterapeuta Raquel Siqueira , que dedicou a uma emocionada Professora Cecília Conde a canção “Carinhoso”.
Ainda sob os longos aplausos à Professora, o vereador Carlos Eduardo passou a palavra à presidente do CLAM e da AMTRJ, Dra Marly Chagas, que começou se definindo como uma “representante de guerreiros”, ressaltando a diretoria da AMTRJ e a categoria profissional que representa. Questionou de forma crítica o conceito de saúde instaurado em nosso município, relativizando-os com as propostas da musicoterapia para a área de saúde. Entende ela que o Estado tem obrigação de produzir saúde, citando as políticas de humanização do atendimento em saúde e o Programa de Saúde da Família como exemplos constitucionais desse compromisso. Lembrou também o compromisso de todos os envolvidos com os excluídos, acreditando na potência da musicoterapia na composição de intervenções que tragam saúde. Conclama que mudemos a vida, e seus sentidos envolvidos. Ressalta a musicoterapia e os musicoterapeutas, numa homenagem musical em que conclamou os presentes a cantar “Canções e Momentos”.
Encerrando a manhã de discussão em alto nível, o vereador Carlos Eduardo, médico, resumiu a jornada como uma “manhã inesquecível”, apontando para as emoções e paixões envolvidas nesse ato, segundo ele, “o marco de uma nova era”. Agradeceu à mesa, à platéia e à sua assessoria. A seguir, uma estrondosa ovação tomou conta do Plenário e, no saguão de entrada da Cãmara, deu-se início a uma ciranda na qual todos os presentes dançaram.
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