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Publicado em 7 de dezembro de 2007
JOVENS QUE CANTAM, CONTAM E RECONTAM OS “SENTIDOS” DA MÚSICA EM SUAS HISTÓRIAS DE VIDA Página 2
Patrícia Wazlawick Kátia Maheirie
“Eu só cantava sabe, ficava feliz de escutar a melodia, eu repetia, tentava repetir né, ficava resmungando, eu era novo demais, sabia falar as palavras tudo errado... Eu era bem novo...” (Beto, referindo-se a canções da “Turma do Balão Mágico”).
“Eu comecei a tocar porque meu pai tocava em banda, sempre cantou, desde pequena eu escuto violão (...), ele sempre cantava com a gente, tocava violão (...). Meu pai sempre, sempre tocou perto assim, e foi muito para mim, foi o que puxou mais” (Jaque).
“Eu lembro de música clássica, de bebê (...), lembro que foi o que marcou a minha infância, acho que quando eu estava na barriga dela eu ouvia [em relação a sua mãe], coisas que estão na minha memória (...), ela cantava a Pastoral de Beethoven, falava que cantava quando a gente era bebê, pegava a gente no colo, bebezinho (...), bebezinho que estava crescendo e cantava pra mim...” (Lia).
“Quando eu era mais novo (...) queria ir para a música (...), olhava alguém segurando uma guitarra e pensava eu quero ser isso sabe. Eu queria, e até via uma mulher segurando o violão e eu falava eu quero...” (Beto, 5, 6 anos).
“A minha primeira música, da audição, eu lembro até hoje, da ‘Boneca sem corda’, uma valsinha do Mário Mascarenhas. Ah... foi uma expectativa, eu lembro até hoje, minha avó mandou fazer um vestido todo rodado... minha família inteira foi assistir, foi bem legal, lembro até hoje eu subindo no palco e tocando, foi bem gostoso... todo mundo ficou admirado” (Jaque, com 7 anos).
Estas três histórias de relação com a música contêm muitos momentos vividos e experenciados, contêm alegrias, momentos festivos e também sofrimentos, dúvidas, angústias, assim como a história de cada ser humano. São compostas por um grande repertório de sons, músicas, canções, ruídos, barulhos, composições próprias, danças, interpretações, criações e (re)criações, pianos, teclados, bateria, violão, guitarras, vozes, blues, cavaquinhos, muitos gêneros musicais, as presenças de pessoas significativas, e vários músicos e bandas, cantores, compositores e intérpretes, com os quais os três jovens se relacionam. Não caberia recontá-las aqui e (re) analisá-las, pois me estenderia por demais, ou acabaria por reduzi-las.
Os sentidos são muitos, porém, gostaria, neste momento, de, por meio da voz de cada um dos sujeitos, trazer brevemente discursos que contam a respeito dos sentidos e da presença da música junto aos sujeitos que foram se tornando, transformando-se, constituindo-se:
“Significa muito, é como o canto pra mim, pra mim é a expressão maior, também é porque eu sei fazer melhor, é a música cantada e a dança, é a expressão, não sei, é a união do corpo e da alma pra mim, o canto pode estar expressando só um sentimento, mas a dança é um sentimento expresso de uma forma mais abrangente ou transmite mais (...), a força do sentimento, com a dança é mais forte, por isso eu gosto tanto da dança” (Lia, em relação à sua dança e ao seu canto).
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