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Publicado em 1 de novembro de 2006
MOVIMENTOS NO PROCESSO DE CONSTITUIR-SE MUSICOTERAPEUTA: REVISITANDO UM TEXTO ESCRITO NA GRADUAÇÃO E OUTRO APÓS SE PASSAREM DOIS ANOS DA FORMATURA Página 3
Patrícia Wazlawick
Esses conhecimentos musicais são indispensáveis, porque a música será o objeto de trabalho do musicoterapeuta, e com isso ele pode ajudar o nosso mundo a sobreviver e prosperar, encontrando caminhos novos e criativos, nos quais a música possa ser usada como terapia e para aumentar o bem-estar.
Enfim, a música e os conhecimentos musicais devem estar vivos dentro do musicoterapeuta, e, sem dúvida, serem exteriorizados.
Porém, existem outros conhecimentos que um bom musicoterapeuta precisa, como conhecimentos pedagógicos, teóricos e práticos, analisar e educar às vezes, permitir e proibir ao mesmo tempo, livrar e tornar a cortar simultaneamente, ter o conhecimento da técnica escolhida, dar seu colorido mais pessoal para que a relação seja verdadeira, profunda e construtiva para o paciente; ter conhecimento artístico sempre atualizado; ter um treinamento especializado; dominar os conceitos e teorias da área que escolheu; compreender as causas e sintomas das patologias; saber usar a terminologia adequada para fazer diagnósticos; ter conhecimentos sobre anatomia, fisiologia, neurologia humanas; compreender a dinâmica dos processos terapêuticos (saber esperar pelos resultados); saber quando propor os diferentes métodos; enxergar o paciente como um ser humano complexo; conhecer os impactos de seus sentimentos, atitudes e sobre o paciente; manter um vínculo com seus pacientes; ter compreensão das bases filosóficas, psicológicas e sociológicas; e o que influenciam no comportamento humano; compreender que cada ser é único e possuem gostos e preferências variadas; ter conhecimentos sobre a história da musicoterapia e de todos os métodos que podem ser usados, bem como os possíveis efeitos que eles gerarão; conseguir através da aplicação dos métodos observar, registrar e entender as respostas do paciente e sua evolução (interpretar); manter contato com outras formas de terapia e trabalhar em conjunto com elas; formular metas terapêuticas a curto e a longo prazo; adotar estratégias para pacientes individuais e em grupos, etc.
Desse modo, através de todos os tantos conhecimentos que um musicoterapeuta precisa ter, podemos concluir que eles estarão relacionados e faremos uso deles no decorrer de todo o processo terapêutico, que vai desde o estabelecimento da relação terapeuta-paciente, passando pelo diagnóstico do paciente, onde teremos contato com sua deficiência ou doença, para propor um plano de tratamento, analisando aos poucos a evolução do paciente, implementando a terapia até chegar à 'alta' terapêutica. Além disso, ainda se faz necessário o terapeuta ter em mente como comunicar-se com seus pacientes e possui uma ética profissional.
Esses conhecimentos serão adquiridos ao longo do exercício profissional; é claro que já começamos a absorve-los durante a nossa graduação, porém, muita coisa deve ser buscada fora, como extra universitário, pois o que a faculdade oferece não é suficiente".
Na quinta página surgia o sub-título "Qualidades e Habilidades", e ali constava o seguinte: "O musicoterapeuta deve possuir habilidades e qualidades que irão facilitar sua profissão, e estas darão idéia de seu perfil. O musicoterapeuta eficiente possui qualidades que inspiram, no paciente, esperança, fé, confiança, gosto e liberdade para responder. Ele é honesto, sincero, tem capacidade para reagir às pessoas, confiança no que faz, firmeza nas abordagens, é autêntico e também tem compreensão empática; bem como vontade para continuar sua carreira, sendo energético e capaz de demonstrar controle sobre seus pacientes. Além disso, o tipo de relação que ele oferece aos pacientes está, provavelmente, de acordo com o seu modelo geral de comportamento social.
O musicoterapeuta não deve só ouvir o paciente, mas deve estuda-lo diretamente. Ele deve estar presente nos aspectos afetivos e cognitivos durante o processo de tratamento do paciente, pois aceita a responsabilidade de ajudar a efetuar as mudanças desejadas e de se manter dentro dos limites do contrato.
Ainda como qualidade, ele precisa suportar a tensão e ser estável, sendo simples e estando num nível de tensão equilibrado; precisa de intuição, talento, capacidade didática, saber escutar e maleabilidade psicológica que o permita adaptar-se a qualquer situação.
No que diz respeito a inteligência criadora, o musicoterapeuta deve ser capaz de integrar seu conhecimento multidisciplinário, de aplica-lo em uma situação dada, num processo que requer um delicado equilíbrio entre o uso de técnicas verbais e musicais na relação terapêutica".
O próximo sub-título era "Formação". Ali dizíamos que "para a formação do musicoterapeuta é necessário o conhecimento musical prévio do aluno e qualidades criadoras de um bom músico. Sua formação deve ser conferida por um instituto acadêmico reconhecido, e estarem em constante aperfeiçoamento.
A instituição formadora deve oferecer uma rigorosa formação técnica e teórica coerente, e um treinamento especializado. O estudante deve receber amplos conhecimentos para a prática da musicoterapia com diferentes tipos de patologias.
Alguns fatos importantes na formação do musicoterapeuta é fazer música isolada ou em grupo, ter capacidade de lidar com a comunicação não-verbal e com a linguagem sonora musical, e ter clareza de suas relações com o mundo sonoro, e vivenciar a musicoterapia didática. Buscar cada vez mais na música a compreensão de seu trabalho, e ser acima de tudo um pesquisador.
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