AMT-RJ


A AMTRJ é membro da:

Site da UBAM
União Brasileira das Associações de Musicoterapia

World Federation of Music Therapy
        Textos

Publicado em 1 de novembro de 2006

MOVIMENTOS NO PROCESSO DE CONSTITUIR-SE MUSICOTERAPEUTA:
REVISITANDO UM TEXTO ESCRITO NA GRADUAÇÃO E OUTRO APÓS SE PASSAREM DOIS ANOS DA FORMATURA
Página 2

Patrícia Wazlawick        


O texto de 1997

Nosso trabalho começava com uma introdução bem assim: "Desenvolvemos aqui um trabalho, tanto de pesquisas bibliográficas quanto de pesquisas de campo, onde procuramos ter um contato com musicoterapeutas graduados e conhecer sobre seu cotidiano como profissionais. É de extrema importância que os estudantes de musicoterapia estejam desde o início de sua graduação convivendo com os fatos que influenciam sua futura profissão. Eles devem ter consciência dos conhecimentos necessários para sua atuação, bem como das características essenciais de um musicoterapeuta, porém, não esquecer de que as dificuldades existem, tanto durante a formação como no exercício da profissão. No entanto, como tudo pode ser resolvido, o musicoterapeuta deve encontrar em si, as resoluções mais adequadas aos problemas, e com isso se tornar um profissional responsável dentro de um meio social, onde é capaz de atuar com competência, buscando a perfeição".

Na página seguinte começava o texto propriamente dito, com um sub-título: "O Musicoterapeuta". Eis o escrito: "Geralmente falamos das características, habilidades e qualidades de um musicoterapeuta, do que ele faz, do que utiliza, onde e com quem trabalha, e acabamos não enfocando quem realmente é o musicoterapeuta, como pessoa, como ser humano.

Pois bem, o musicoterapeuta é uma pessoa comum, que optou por fazer o curso de musicoterapia, e fazer dele a sua profissão. Mas, além disso, o musicoterapeuta é alguém que desenvolve uma atividade em benefício de um outro, ajudando-o e propondo o possível para a reabilitação deste outro, caso ele não esteja 'saudável'.

O musicoterapeuta doa-se, não fica fechado em seu mundo, ele presta um enorme serviço para que a saúde das pessoas, tanto física, mental e psicológica, possa melhorar.

Ele é um terapeuta, estuda e põe em prática os meios adequados para aliviar os doentes, e para isso, tem a música como o meio de terapia, a música e tudo o que ela implica.

Acreditamos que para ser musicoterapeuta é preciso existir um 'dom especial' na pessoa, porque estes serão os profissionais que levarão a sério sua profissão e não desistirão dela. Sendo assim, ele possui uma maturidade pessoal.

Algo fundamental para ser um musicoterapeuta é entender a si mesmo, compreender seus limites, suas possibilidades, conhecer-se e ter consciência de quem é, o que quer (suas metas e ideais), por que e para quê está no mundo, só assim poderá desenvolver seu trabalho e ter relações com as outras pessoas. É como na frase de Sócrates: 'Conhece-te a ti mesmo', enfim, o musicoterapeuta necessita ter consciência de si.

Para exercer a profissão, o musicoterapeuta deve ser formado em uma instituição de nível superior e ter uma capacitação clínica. Como irá trabalhar com o melhoramento das vidas de seus pacientes, ele precisa ter muita responsabilidade e conhecimentos embasados que utilizará em seus projetos.

Um musicoterapeuta não se faz apenas nos quatro anos do curso superior, ser musicoterapeuta constitui um processo profundo que dura a vida toda. Ele precisa aperfeiçoar-se, atualizar-se e obter o máximo de experiências, e mesmo assim nunca saberá de tudo.

Algo muito importante também, é que o musicoterapeuta saiba enfrentar as suas debilidades e mesmo as que aparecem ao longo de seu trabalho, tirando proveito delas para aperfeiçoar-se e acertar a cada vez mais. Deve encara-las como forma de atingir seu crescimento pessoal e profissional, e nunca desistir frente a um problema.

A segunda coisa que o musicoterapeuta deve ter em mente e realmente acreditar é na música. Ela desempenha um papel fundamental em nossa comunidade e contribui para o bem estar dos indivíduos e da sociedade, constituindo então um extraordinário instrumento terapêutico. Por isso, os conhecimentos musicais são mais do que necessários, são indispensáveis.

Os conhecimentos a nível musical devem conter: fundamentos gerais da história da música e da teoria musical. Compor, não apenas fazendo músicas de forma isolada, mas relacionando-a em todo um contexto, onde entra também a participação do paciente. Improvisação, saber improvisar quando o paciente cantar, quando ele pedir alguma música. E para isso precisa dominar um ou mais instrumentos (quanto mais, melhor será), isto é, tocar instrumentos musicais e ser antes de tudo, músicos. Cantar, expressar-se por movimentos, dançar.






Página 1 Página 3