
Repórter Diário - 23 de julho, 2009

A sensação de prazer obtida após ouvir músicas está sendo aproveitada nos hospitais para auxiliar na melhora do quadro clínico de pacientes. A técnica da musicoterapia, cada vez mais estudada no País, é usada como um complemento terapêutico que auxilia nos tratamentos, na recuperação dos pacientes e até na prevenção de crises nervosas.
Segundo a coordenadora do curso de musicoterapia da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), Maristela Smith, os sons são capazes de penetrar barreiras intransponíveis e provocar a sensação de prazer nos pacientes. "O sujeito que está internado passa a ter, em muitos casos, uma visão pessimista da vida, fato que com a ajuda do som pode ser revertido para sensações de autoestima e autoconfiança", esclarece.
O tratamento começa com um estudo detalhado e individual sobre o histórico sonoro musical de cada paciente. A partir dessa ficha dinâmica, os profissionais atuam com sons e músicas, que podem ser compostas para cada situação ou já conhecidas, mas que transmitam mensagens otimistas.
É como se o paciente se comunicasse com a música e melhorasse de forma mais rápida, observa Maristela. "Todos temos uma memória musical, sons que nos caracterizam. O som é capaz de estimular o cérebro a partir de um impulso nervoso e dessa forma permitir que as pessoas tenham uma nova visão de vida", considera.
O trabalho é lento, porém eficaz explica a musicoterapeuta. "Não é simplesmente entrar no quarto do paciente, tocar uma música e ir embora. É um trabalho diário de 5 a 10 minutos com base em um estudo feito em cima do caso da pessoa. Com a técnica é observado melhora do humor, da autoestima e da percepção, já que a pessoa se habitua a processar mentalmente aquilo que ouve", destaca.
Nos casos em que não há uma patologia existente, a musicoterapia serve para evitar crises nervosas, por exemplo. "A musicoterapia pode auxiliar pacientes que estão a beira de um colapso nervoso a voltar ao estado de equilíbrio e evitar crises e atitudes impensadas", completa.
Música para bebês
Em São Caetano, a sonorização é utilizada para auxiliar o quadro de saúde de bebês prematuros internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Neonatal do Hospital Municipal Márcia Braido. A ideia da auxiliar de enfermagem Adriana Balero Gomes é baseada em um artigo científico publicado no ano de 2006 em uma revista de enfermagem e serve de estudo para sua pesquisa de pós-graduação na área.
O projeto, iniciado no fim do ano passado, avalia a influência da música em bebês, sejam eles prematuros ou não, internados na UTI. "Observamos durante os 15 minutos de terapia com sons a frequência cardíaca, a respiração, a saturação (aproveitamento de oxigênio), a expressão facial e os movimentos de corpo do bebê", detalha a coordenadora da UTI Neonatal do Hospital Márcia Braido e da Casa da Gestante de São Caetano, Paula Venturini Nereti.
A atividade é desenvolvida uma vez por dia, sempre no período da tarde apenas nos bebês clinicamente estáveis, mediante autorização do médico responsável e também dos pais. Os sons utilizados remetem a natureza, como barulho da água, floresta, pássaros, cachoeiras, e até mesmo o movimento intra-uterino, com ritmos cardíacos ao fundo. O resultado, segundo Adriana, é um bebê mais relaxado e que expressa até mesmo sorrisos.
Para a psicóloga que acompanha o projeto, Rosely Perrone, a medida ajuda não só os bebês, mas toda a família. "Bebês internados na UTI recebem em média 150 manipulações diárias, o que causa um alto índice de estresse para toda a família. Com o relaxamento do bebê, a melhora do sono e da forma de se alimentar, percebemos que a mãe também se alivia e assim reduzimos o tempo de sofrimento", observa.