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União Brasileira das Associações de Musicoterapia

World Federation of Music Therapy
        Maratona ABMT 1980

Publicado em 23 de novembro de 2006

TEORIA E IDEOLOGIA

Ana Maria Motta Ribeiro*        



I - PROPOSTA: outra formulação de tema para encaminhar um argumento:


CIÊNCIA E IDEOLOGIA


II . TÓPICOS

  1. CIÊNCIA
    O conhecimento é legado histórico passado e é produção presente na definição do mundo construído pelos homens.

    • Ciência e Senso Comum: o conhecimento vivencial e o conhecimento científico
    • A falsa "neutralidade" da ciência

      O sujeito do conhecimento: quem é o sujeito que conhece?
      O objeto do conhecimento: as várias "realidades", dependendo do ponto de vista sobre o real
      Apresentação dos enfoques: empírico, formalista e dialético.
      Conseqüências.
    • O papel do cientista social: compromisso com a realidade social sobre a qual atua e produz "saber"

    • Que tipo de saber, a quem serve, para o que serve?

  2. IDEOLOGIA

    Aquilo que se passa na cabeça dos homens em função do modo como a humanidade produz a vida material, RePresentação, conhecimento, visão de mundo.

    • Definição a nível de abstração mais complexa: superestrutura, jurídico, política, isto é, ideológica, que se enrije a partir de uma base infraestrutural econômica, determinante em ultima instancia. Eixo fundamental para pensar ideologia: A autonomia do nível ideológico articulada à determinação das relações de produção: numa sociedade dividida em classes (forma como os homens se organizam para a produção da vida). Existem várias ideologias, dentre as quais uma é dominante:
      • a divisão geral de classes:
        dominante (detentora dos meios de produção, ,da vida, expressão do capital), e dominada (produtores diretos da vida material, "libertos" para a venda sua energia, expressão do trabalho).

Ideologia como um problema de conhecimento da realidade, implica na consideração de perspectivas diferentes sobre o mundo, segundo aqueles que dominam e aqueles que são dominados. Por isso a História como produto humano não pode significar a história das idéias de um tempo, porque desta forma fica-ria relegada às idéias que dominaram: a história dos reis, elites e governos. Para ser a História dos homens, é necessário passar pela consideração de que aqueles que produzem a vida são alienados do direito e usufruto da riqueza social: cultural, espiritual, e material. Por isso, o homem se alienou do próprio homem para compreender-se como ser genérico, tornado indivíduo,dividido e esquizofrênico na acepção da humanidade: explora a si próprio, sendo simultaneamente seu explorador. A consciência sobre o homem que somos e ao qual nos referimos é fundamental para localizar-se o sujeito (fragmentado) da história real e necessária de nosso tempo.

A noção de classe social e frações de classe. A noção luta de classe como eixo do movimento da história.


- Ideologia Dominante: a pretensão de universa1ização e generalização como critério de verdade.
A função da ideologia dominante: a justificativa da dominação, a expressão de um projeto hegemônico (persuasão e coerção na direção da sociedade); a propriedade dos meios de produção de conhecimento pe1o capital: os aparelhos de re-produção de ideologia e a apropriação do conhecimento cientifico.
A ideologia do normal e o patológico social.
- Ideologia não-dominante: a possibilidade e a construção real de uma ideologia antagônica: a ideologia da c1asse dominada.
O afastamento necessário ~ inversão conseqüente, de ideologia dominante, que se opera no plano das relações sociais que se estabelecem entre os homens: a vontade coletiva.
A viabilização da "vontade coletiva" transformadora não se processa a partir do espontaneismo.
O papel do Partido Político
. O "Saber"e o "Sentir"
As etapas do despertar da consciência coletiva: do plano imediato econômico corporativista ao plano político.
Atenção: a. hegemonia da classe dominada é parte do processo de uma reforma cultural e moral aliada à reforma econômica da sociedade, por isso, antecede à sua realização enquanto ideologia dominante, neste caso, redefinida.


III - . CIÊNCIA, IDEOLOGIA e REALIDADE

Existe um "tempo" no ato de conhecer. O modo de produção capitalista é marco referencial para o conhecimento da História dos homens" O homem é a chave para a compreensão do ma-caco...

Não se pode falar em "ciência descomprometida".

Fazer ciência e conhecer é fazer uma opção...

Grosso modo, existem duas opções: 1) Conhecer para preservar a realidade conformada no "Status quo" e ser lacaio e propagandista da ideologia dominante que explica e justifica a dominação de uns homens sobre outros, ou 2) Conhecer para transformar a realidade e assumir o compromisso com o movimento da história atuando como potencializador da resistência que age contra o caráter intrinsecamente repressivo da cultura,. Sendo ainda sensível à captação dos fatores que determinam as relações sociais, pretendendo além da explicação, a mudança dessas determinações.
Desta forma é passível de conclusão científica que, fazer ciência ê fazer opção.


Opção ideológica.

- A atualidade nos coloca - e os intelectuais de um modo geral, que tem como objeto "o homem" - uma questão premente e relevante: qual o papel e a importância de uma ciência critica ?
- uma sugestão para o nosso debate


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Marx, Karl - "Prefácio â Contribuição à Crítica da Economia Política". Os Pensadores, Abril, ed. 1979.
___________"A Ideologia Alemã".. ed.Grijalbo
Gromski, A - "Antologia", Siglo XXI, ed.
__________ - outros textos, sobre o conceito de hegemonia para o autor.


*Antropóloga


Trabalho apresentado na 1a Maratona de Musicoterapia, organizado pela Associação Brasileira de Musicoterapia, no CBM - Rio de Janeiro, 30 de agosto de 1980.





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