MUSICALIZAÇÃO TERAPÊUTICA : INSTRUMENTO DE REABILITAÇÃO MOTORA COM PORTADOR DE SÍNDROME DE RUBINSTEIN-TAYBI
Elisabeth Martins Petersen
Daysi Fernandes Mouta
O presente trabalho apresenta uma experiência musicoterápica em estágio supervisionado na área de Deficiência Mental com portador de Síndrome de Rubinstein-Taybi, num enfoque de Musicalização Terapêutica com Flauta Doce.
A Síndrome de Rubinstein-Taybi (RTS) caracteriza-se principalmente pelos polegares e hálux largos e grandes, às vezes angulados, articulações hiperextensíveis, palato altamente curvado, retardo mental e ainda problemas ortopédicos. A fala é uma das áreas de desenvolvimento mais lenta.
Nosso contato com o cliente VM aconteceu durante estágio no IPCEP, com portadores de necessidades educativas especiais, onde são oferecidos atendimentos de Educação Especial, Fonoaudiologia, Psicologia, Musicoterapia, Educação Física Especializada, Artes, Marcenaria, Terapia Ocupacional e Informática, voltados para o aproveitamento do interesse do aluno na participação em mini-ateliers, paralelo ao processo de aprendizagem. Essa coexistência transdisciplinar das áreas de educação e saúde objetiva dar uma nova dimensão ao trabalho na escola especial, exercitando a cidadania e elevando a auto-estima.
Na MUSICOTERAPIA, as experiências musicais, utilizando ritmo e som, envolvem esses clientes num FAZER prazeroso, por sua forma particularmente ATIVA, exercitando os aspectos emocionais traduzidos em respostas motoras corporais e no contato com os instrumentos, aproximando-os mais da VIDA. A melodia e a harmonia associam-se ao ritmo, completando a ação global da música nos aspectos bio-psico-social.
Entre as práticas didáticas da musicoterapia estão aquelas que ajudam os clientes a adquirirem conhecimentos, comportamentos e habilidades necessários para uma vida funcional independente e adaptação social, mantendo os objetivos clínicos apontados pelas necessidades terapêuticas; situa-se entre a Educação e a Terapia.
Insere-se aí a Musicalização Terapêutica como uma opção musicoterápica para portadores de necessidades especiais, com foco na Competência Social e na Inclusão, a partir de suas demandas terapêuticas. Utilizam-se experiências da aprendizagem de instrumentos musicais com técnicas apropriadas (adaptativas ou compensatórias) e participação em pequenos grupos musicais. O desejo manifesto do cliente por aprender um instrumento é que determina a indicação dessa abordagem pelo musicoterapeuta, sem perder de vista a precípua finalidade terapêutica da atividade, por uma escuta sempre atenta aos limites (as dificuldades físicas, motoras, mentais) e singularidades do cliente e seu quadro clínico. Possibilita, também, encaminhamentos para Escolas de Música e participação ativa entre as pessoas "comuns".
Durante sua participação nos grupos de Musicoterapia, VM demonstrou grande interesse pela flauta doce, expressando à musicoterapeuta seu desejo em APRENDER a tocá-la, o que a levou a planejar um atendimento individualizado. As características da RTS eram um desafio, pois, além dos objetivos TERAPÊUTICOS, havia também objetivos educacionais especiais, respeitando os limites físicos impostos pelos dedos polegares e hálux largos, grandes e angulados. Como agravante, VM locomovia-se com auxílio de andador, por uma grande deficiência física nos membros inferiores.
Esta abordagem terapêutica, de Musicalização com Flauta Doce, propiciou um maior investimento nas habilidades psicomotoras, de coordenação, esquema corporal, e percepções espaço-temporal - incluindo deslocamentos, e senso-percepção; o estímulo à memória, atenção, reflexão e outras faculdades intelectuais; o estímulo ao enfrentamento das dificuldades de comunicação verbal; o desenvolvimento da fantasia, imaginação e criatividade; e mudanças de comportamento que geraram maior participação e aceitação de suas ações pelos grupos.
A reabilitação motora, no caso específico do portador de Síndrome de Rubinstein-Taybi, possibilitou, por acréscimo, uma reintegração ao convívio social, uma participação mais ativa em outras atividades grupais e uma melhor integração com as outras pessoas - tanto na escola, como na família. A reabilitação só é possível quando ativamos o desejo de possuir novas possibilidades corporais, novos desejos e não apenas o movimento.
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